sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Ao Teu Lado do escritor Luís Costa Pires



As novas instalações da Confluência Associação Cultural, na Fortaleza de Cascais, foram, no dia 4 de Dezembro, o palco da festa de apresentação do novo livro do escritor Luís Costa Pires. A obra é denominada “Ao teu lado” e tem a chancela da editora Nova Vega, marcando o regresso do autor às lides literárias, após a publicação de “A Rainha de Copas”, “Depois da Noite”, “Mandrágora” e “A Desconstrução da Alma'.
Luís Costa Pires regressa com um romance bastante diferente dos anteriores, ao escrever uma história de amor com um final surpreendente e e com influências das suas leituras das obras Shakespeareanas. Numa narrativa poética e de ritmo rápido e intenso, “Ao teu lado” conta a história de um escritor de sucesso, casado e com uma vida estável que, surpreendentemente, se vê a braços com uma paixão inesperada e com uma decisão difícil de tomar. O enredo dará lugar a um desfecho surpreendente, que nos dá uma das mais sublimes lições de amor, e a uma série de cartas de amor enviadas pelo personagem, que farão relembrar certamente uma tradição que já não existe nos dias que correm.
A apresentação da obra começou com um pequeno discurso do editor, Assírio Bacelar, que justificou a aposta neste autor de 32 anos pela extrema sensibilidade que revela na sua escrita, abordando de forma poética, num ritmo intenso e com um final surpreendente, um enredo que não deixará ninguém indiferente. “Este livro poderia chamar-se também “Cartas a Desidéria” pela epistolografia que contém, já que, em determinado capítulo, o personagem principal escreve fervorosas cartas de amor ao objecto do seu desejo, relembrando uma tradição que se foi perdendo com o tempo”, afirmou o editor que não hesita em catalogar o livro como “uma sublime lição de amor”.
A escritora Maria Helena Torrado fez de seguida uma apreciação da obra, que considera abordar um tema importante, sempre actual e relevante, revelando ainda que é surpreendente que esta obra, pela maturidade que revela, saia das mãos de um jovem autor. Comentou com particular enfâse a influência de Shakespeare no desenrolar da trama, nas suas várias facetas de ternura, humor e drama.
De seguida, Ricardo Carriço juntou-se à escritora Maria Helena Torrado e, em conjunto, fizeram uma intensa e dramatizada leitura de alguns excertos da obra, o que surpreendeu os muitos convidados presentes, e comoveu o próprio autor.
Luís Costa Pires falou em seguida, lembrando que, apesar de ter apenas 32 anos, o seu primeiro livro foi já publicado há dez anos, na altura em que venceu o prémio “Prosas de Estreia” com “A Rainha de Copas”, e explicou como é importante para si regressar à publicação após um hiato de cinco anos onde se dedicou ao jornalismo, à fotografia e ao guionismo. “Este livro foi escrito numa altura em que tinha acabado de ler seis ou sete peças de autoria de William Shakespeare. A sua leitura teve um impacto profundo sobre mim e escrevi este livro de rajada, assumindo claramente a influência dramática das suas obras, nas metáforas e na fatalidade dos acontecimentos. Aliás, quem quiser ler este livro com espírito de análise literária irá certamente encontrar referências escondidas, nos nomes dos personagens, em algumas situações e, claro, outras mais óbvias, nos próprios diálogos e nas epígrafes”.
Para o autor, “Ao teu lado” é “assumidamente uma história de amor, mas com uma reflexão importante. O enredo mostra a eterna batalha entre a racionalidade e o desejo, que está também patente nos nomes dos personagens, como a misteriosa Desidéria, forma feminina de “desejo” em italiano, e a necessidade de cada indivíduo perceber em cada momento qual é a decisão que irá conduzi-lo a uma vida realmente intensa ou a uma existência banal”.
As cartas de amor estão presentes no livro e escritas com uma surpreendente intensidade. “Se, como dizia Pessoa, todas as cartas de amor são rídiculas, isso acontece precisamente porque elas se integram nesta eterna luta de que fala o livro. Quando são escritas, é a emoção que as escreve. Não o frio e racional cérebro que mais tarde as cataloga”, referiu Luís Costa Pires, que considera que é importante que haja mais emoção no dia a dia. “Estamos muito dependentes da aparente segurança que achamos conseguir com decisões frias e materiais e escondendo os nossos sentimentos com medo de sermos expostos ao ridículo. Mas, como o personagem do livro percebe, essa segurança não conduz a nada mais que não o passar dos dias”, conclui.
Após as palavras do autor, seguiu-se a animada sessão de autógrafos e fotografias. Mas a noite não seria encerrada sem a cantora Deolinda Bernardo, acompanhada pelo guitarrista Carlos Velez, pelo acordeonista Enzo D..Aversa e pelo trompetista Sérgio, interpretar alguns temas do imaginário português, que mereceu uma ovação de pé de todos os presentes.
( do blog depois da noite )

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